segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PARLENDA UMA, DUAS ANGOLINHAS E SUA RELEITURA

Eu me lembro criança, lá em Minas, ouvindo meu pai Epaminondas recitar essa parlenda. Uma parte eu guardei na memória. Outra, tive que pesquisar para recuperar. Abaixo, segue uma releitura (recriação) que fiz: UMA, DUAS MENININHAS.

UMA, DUAS ANGOLINHAS (domínio popular) 

Uma, duas, angolinhas,
finca o pé na pampolinha.
O rapaz que jogo faz?
Faz o jogo do capão.
Conta bem seu Mané João
Conta bem que vinte são.
E recolhe este pezinho
Na conchinha de uma mão,
Que lá vai um beliscão.
É de rin-fon-fon!
É de rin-fon-fon!
Pede pilão e bate
Carne seca com feijão.
Orelha de gato
Não tem coração.

(domínio popular)


(releitura, recriação que fiz)



UMA, DUAS MENININHAS

Uma, duas, menininhas
Vão jogando amarelinha
Numa noite de São João.
Cante bem, meu amiguinho,
Cante bem essa canção:
Estrelinha quando brilha
Ilumina o coração.
Conta bem, meu amiguinho
Conta quantas estrelas são
Uma, duas, ou milhares
pra fazer constelação.
Um gato no pote,
Uma andorinha na mão,
Mamãezinha não me acorde,
Que o sonho tá bem “bão”...

sábado, 27 de novembro de 2010

O TATU DE TATUÍ

MINI-CONTO (em TRAVA-LÍNGUA, semi tautografado)

O tatu de Tatuí foi de trem visitar a tia do tu-iu-iú de Ituiutaba, mas a tia do tu-iu-iú não tava. O trem do tatu voltou por Itu e depois foi pra Itabira, onde não tem Ibituruna. O tatu telefonou pro tu-iu-iú e perguntou: Como tá tu? Onde tu tá? Fui visitar tua tia e tua tia não tava. O tu-iu-iú respondeu: Tudo bem... E tu? Cumé qui tu tá? Minha tia viajou pra Pindamonhangaba e depois vai voltar para Ituiutaba. O tatu que já voltara de trem pra Tatuí, foi pro restaurante do Tetéu comer um tutu com toucinho... E o tu-iu-iú voltou a cantar feliz o trava-língua de  Ituiutaba: ...  Tra-lá-lá...  Tatu, tatuí, itu, tu-iu-iú, ituiutaba, tupi, tupinambá...” E finalizou com uma cantiga de ninar tatu pequeno de Itu:  “Tutu marambá não venha mais cá, que a mãe da criança te manda matar.. Tra-lá-lá...”   

(dedicado à minha amiga Célia Holtz e à sua irmã Vera Holtz... de Passione...) 

sábado, 20 de novembro de 2010

A PARLENDA DO DOCE, DO AZUL E DO VERDE

Seguem-se três releituras ou recriações que fiz a partir da PARLENDA DO DOCE. 
Quem nunca ouviu ou repetiu essa clássica parlenda?

“O doce perguntou pro doce
Qual doce era o doce
mais doce que o doce.
O doce respondeu pro doce
Que o doce mais doce que o doce
era o doce da batata doce.”
(domínio popular)

Segue-se a primeira recriação da parlenda do doce: 

Qual é o doce mais doce que o doce?
-Decerto não é o doce da batata doce,
respondeu o arroz doce e irritou-se.
-Ora, ora, o meu doce é mais doce...
E se mais não fosse
eu não diria que o doce
mais doce que o doce
é o doce do arroz doce
e não o da batata doce.
Melhor que fosse.
Mas não é...  E acabou-se.

Na mesma linha, criei outra variação para essa parlenda:

O azul perguntou para o azul
que azul era mais azul que o azul.
O azul respondeu para o azul
que o azul mais azul que a azul
é o infinito do  teu olhar azul,
mais azul que o azul do céu,
mais azul que o azul
do anil dos mares do sul.

E segue-se outra, mudando a cor, mas não o tom:

O verde perguntou para o verde
que verde era o verde
mais verde que o verde.
O verde respondeu para o verde
que o verde mais verde que o verde
é o verde olhar da criança
refletindo o verde
no verde da mata verde.
Mas vede:
na verdade, o verde mais verde que o verde,
é o verde da esperança
de ver o mundo vitoriosamente verde.

(José de Castro) 

PARLENDA DO TEMPO

Segue uma releitura dessa clássica parlenda... Os acréscimos estão misturados às lembranças...

O tempo perguntou pro tempo
quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu pro tempo
que o tempo não tem tempo
de ficar perdendo tempo com ninguém. 
O tempo tem o tempo
que todo o tempo sempre tem. 
O tempo do tempo 
é sempre um tempo eterno,
um eterno vai e vem.
Se o tempo não tem tempo,
esse tempo não vale um vintém.
O tempo tem o tempo
que o próprio tempo tem.
E você: tempo tem?
Nem vem que não tem.
Tempo passa, tempo vem.
É sempre tempo
de ter tempo para alguém. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PARLENDA MODERNA

PARLENDA

Todo o mundo conhece a parlenda, de domínio popular, que se segue:

“Cadê o toucinho daqui?
Gato comeu.
Cadê o gato?
Foi pro mato.
Cadê o mato?
Fogo queimou.
Cadê o fogo?
Água apagou.
Cadê a água?
Boi bebeu.
Cadê o boi?
Tá amassando trigo.
Cadê o trigo?
Galinha espalhou.
Cadê a galinha?
Tá botando ovo.
Cadê o ovo?
O frade comeu.
Cadê o frade?
Tá rezando missa.
Cadê a missa?
Tá no altar.
Cadê o altar?
Tá no seu lugar...
E o seu lugar é por aqui, por aqui, por aqui..”

(e faz-se cócegas pelo braço afora da criança, até se chegar ao sovaco)...

Com base nessa parlenda, criei a de baixo, que chamei de:

PARLENDA MODERNA

Cadê a poesia daqui?
Poeta rimou.
Cadê o poeta?
Tá buscando inspiração.
Cadê a inspiração?
Tá no coração.
Cadê o coração?
Foi buscar a paixão.
Cadê a paixão?
Tá vivendo de ilusão.
Cadê a ilusão?
Verdade comeu.
Cadê a verdade?
Tá procurando a justiça.
Cadê a justiça?
Tá com preguiça.
Cadê a preguiça?
Tá enchendo lingüiça.
Cadê a lingüiça?
Cachorro engoliu.
Cadê o cachorro?
Foi mijar lá no morro.
Cadê o morro?
Virou favela.
Cadê a favela?
Tá fazendo novela.
Cadê a novela?
A Globo estragou.
Cadê a Globo?
Sílvio Santos comprou.
Cadê Sílvio Santos?
Tá jogando xadrez.
Cadê o xadrez?
Era uma vez...

(José de Castro, Natal/RN,  18/11/2010) 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

ENCONTRO LITERÁRIO

Hoje, dia 16/11/2010, atendendo a um convite da professora ILMA, tive o prazer de visitar a ESCOLA EMÍLIA (Natal/RN - bairro Cidade Satélite) e falar com as crianças de lá, alunos do ensino fundamental, da primeira à quinta série. Foi um encontro gostoso, no qual pude mostrar meus livros, declamar poemas e mostrar às crianças que o escritor é uma pessoa normal, como qualquer outra. Contei a história dos meus livros, falei do processo de criação. Fui entrevistado pelas crianças respondendo a muitas perguntas inteligentes que foram feitas. Fiquei impressionado com a vivacidade daquelas crianças. Houve um encontro pela manhã e outro pela tarde (tive direito à mordomia de ser buscado em casa pela diretora Ilma, pessoa simples, sensível, uma educadora nata). Tive a oportunidade de falar sobre a importância da leitura e da escrita em nossas vidas, falar sobre leitura de mundo. Procurei incentivar as crianças para a leitura como um ato lúdico, prazeroso. À moda de José Paulo Paes, convidei-os a "brincar de poesia". Mostrei a eles o quanto eu me divirto dentro do processo de criação, pois para mim a poesia tem que passar emoção, alegria e tornar o mundo mais feliz. Nesse dia pude apresentar, em primeira mão, as SETE PARLENDAS aqui postadas (seis delas de minha autoria, uma para cada dia da semana...) Essas parlendas foram escritas no dia de ontem, pois era uma segunda-feira e eu queria complementar os poemas, de maneira a ter um poema para cada dia. Deixei alguns exemplares do meu livro POEMARES e fiquei de levar os demais (A MARRECA DE REBECA e o A COZINHA DA MARIA FARINHA). O livro O MUNDO EM MINHAS MÃOS não pode ser deixado, pois sua edição já se esgotou, bem como o QUEM BRINCA EM SERVIÇO... (textos de humor). O interessante é que esse último livro é para adultos, mas as crianças gostaram muito de alguns trechos que li e deram ótimas risadas. Isso vem a provar que poesia e humor não têm idade. Quero registrar também que hoje autografei três livros lá na escola, o que foi motivo de grande alegria: um autor quer ver o seu trabalho sendo divulgado e apreciado. Aguardem novas produções, pois eu estou sempre escrevendo: com prazer e alegria, pois para mim ESCREVER É UMA GRANDE AVENTURA. Quero expressar o meu agradecimento à professora Ilma e a toda a sua equipe. E, claro, a todas as crianças que me trouxeram tanta alegria nesse singular encontro literário.