terça-feira, 12 de outubro de 2010

TÚNEL DO TEMPO (crônica poética para o Dia das Crianças)

Eu me lembro menino
às margens do rio Doce
comendo bagas de ingá...
na ponta da Ilha dos Araújos
aprendendo a nadar...
A solene Ibituruna
com sua santa tão pequena
lá de cima, Valadares a espiar...
Trens de ferro
Maria fumaça
minérios de ferro
seguindo  de Minas para o porto de Vitória...
Minha casa na Sete de Setembro
perto da Figueirinha
(zona boêmia, que os locutores
da Rádio Por um Mundo Melhor
chamavam: a parte mais alegre da cidade)...
Bolhas de sabão
flutuando no ar
sopradas em canudinhos de mamão...
Minha mãe, aos domingos
cozinhando frango com quiabo,
o cheiro gostoso do feijão temperado
no alho se espalhando pela casa ...
Minha professora, Dona Ester,
me presenteando com canetas
e livros de história: O Gato de Botas,
Pequeno Polegar, A Gata Borralheira...
Pequenos grandes heróis
da minha infância...
The Phantom (O Fantasma),
Roy Rogers, Flecha Ligeira,
Bat Man, Superman,
Bolinha, Luluzinha, os
Sobrinhos do Capitão,
Mandrake e tantas outras
personagens...
As novelas do rádio,
Jerônimo, o Herói do Sertão...
Serro Bravo foi seu berço natal,
com o moleque Saci pra ajudar,
e Aninha sua noiva a suspirar...
As Aventuras do Anjo
Um original de Moisés Weltman,
pelas ondas da Mayrink Veiga...
Hoje é dia de Rock, com Jair de Taumaturgo...
Bill Halley e seus cometas...
Nilo Amaro e seus cantores do ébano...
The Platters, dizendo Only You...
Oi, Tony, oi Cely (Campelo),
Um sapatinho eu vou
com laços cor de rosa enfeitar...
Carlos Gonzaga
cantando: Não te esqueças, meu amor,
que quem mais te amou foi eu...
Oh, Diana vem comigo sonhar...
Elvis Presley, baladeando
It"s now or never, come hold me tight...
tomorrow will be so late... Kiss me quick!!!!
O Cine Palácio
o Cine Odeon e o Cine Ideal
das matinês de domingo
com seriados de Rocky Lane
e Flash Gordon...
O cinema de rua, o Cine Poeira
com as comédias do Gordo e o Magro,
Stan Laurel, Oliver Hardy
Vinte Mil Léguas Submarinas,
com Kirk Douglas....
O Gavião e a Flecha,
com Burt Lancaster...
E o vento levou todas as lembranças,
nas dobras dos vestidos de
Olívia de Havilland...
E ficaram apenas os sopros
dos Morros dos ventos uivantes...
e um Castelo de um homem sem alma,
de A.J.Cronin...
E a solene Igreja Metodista
chamando aos domingos para
a escola dominical...
E as festas de fim de ano,
com mil anjinhos cantando:
Nasce Jesus, fonte de Luz...
E as árvores de Natal
piscam piscam multicores
por entre os pastores
guardando os rebanhos do mal
"numa noite tão fria e escura também..."
"Natal, Natal, é-nos nascido um Rei Divinal..."
E hoje estou aqui
nesta terra dos Reis Magos
fazendo brilhar
minha própria Estrela de Belém,
piscando para todos os homens
acima do mal e do bem....
"Criança feliz,
alegre a cantar...
alegre embalar
seu sonho infantil...
Hoje, no céu um aceno,
os anjos dizem "amém"
Porque Jesus Nazareno
foi criancinha também..."
Blém-blém-blém...
faz o sino de Belém...
Lá se vai o trem
na curva da estrada
apitando saudades...
Piuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii....

E a vida continua...
e as lembranças insistem 
em espiralar nas canções
como fumaça: 
Smoke gets in your eyes...
E o tempo chora
uma lágrima de luz...
E uma trova me vem à lembrança,
dos meus tempos de criança:
"Iguais parecem quando a vida as solta
Mas no entanto elas não são iguais:
a primavera passa e depois volta
e a mocidade não nos volta mais..."  

HAICAI

A noite silente
No intenso brilho de estrelas
Fala ao coração. 

domingo, 10 de outubro de 2010

POETRIX

CONJUGAÇÃO ESDRÚXULA


Eu blogo,
Tu orkutas,
Ele twitta...

POETRIX e HAICAI

O gênero POETRIX, criado pelo brasileiro e baiano Goulart Gomes, está comemorando 10 anos de vida. O Poetrix é um terceto alternativo ao haicai, diferenciando-se deste por algumas características. O haicai que também é um terceto, obedece a uma estrutura métrica de 5-7-5. Isso significa que o primeiro verso tem que ter 5 sílabas métricas, o segundo 7 e o terceiro, novamente 5 sílabas. A temática do haicai refere-se a elementos da natureza, ao tempo, às estações do ano e não tem título. O POETRIX é mais livre e mais solto. É um terceto que, geralmente, precisa ter título que integra o próprio poema. A soma da métrica dos três versos pode totalizar até 30 sílabas. A temática é inteiramente livre. Existe um MOVIMENTO INTERNACIONAL POETRIX - MIP, que é coordenado pelo inventor do poetrix, Goulart Gomes. Em comemoração aos 10 anos de existência, o MIP estará publicando uma antologia de poetrix, com autores brasileiros radicados em vários países. Título da obra: "501 POETRIX PARA LER ANTES DO AMANHECER". Quero dizer a vocês que eu tive o privilégio de ter sido convidado para integrar esta antologia. Estarei nela, com 6 poetrix de minha autoria. O lançamento desta obra deverá ocorrer até o final deste ano. Aguardem... Quem quiser ler alguns poetrix (e também haicais), poderá acessar o site Recanto das Letras. Convido-os a visitarem a minha página: http://www.recantodasletras.com.br/autores/josedecastro
Lá chegando, podem selecionar por gênero e localizar meus poetrix e meus haicais. Boa leitura a todos...

sábado, 9 de outubro de 2010

ÓPERA DOS GATOS - 3 - A IDÉIA

A idéia de escrever uma peça teatral ocorreu-me em 2004, ao assistir a uma encenação da peça "A Megera do Nada" (uma paródia à peça A MEGERA DOMADA, de Shakespeare), pelo grupo de teatro "Clowns de Shakespeare",  em Natal/RN. Gostei muito do trabalho daquele grupo teatral (que continua fazendo muito sucesso pelo Brasil afora) e decidi que iria escrever uma peça com 7 personagens (era o número de atores/atrizes que eu estava vendo em cena). Ao voltar para casa, a cabeça já estava fervilhando de idéias. Eu queria escrever uma história de amor. E resolvi que seria uma peça infanto-juvenil, uma comédia musical. Um pouco inspirado nos Saltimbancos (de Chico Buarque), comecei a criar as personagens e a imaginar a situação de conflito: a eterna busca do amor, da alma gêmea, da alma companheira. E assim nasceu a história da Gata Manhosa (também conhecida como PANDORA), exigente, mas carente de amor e de admiração. E do seu prometido, Augusto, o Gato Maluco, irônico e satírico. A história é narrada pela Gata Feliz (casamenteira) e pelo Gato Poeta (um eterno apaixonado pela vida), tendo como companheiros os gatos Azarado, Folgado e a Gata Rival. Existem outras personagens circunstanciais, como o Gato Vaqueiro e a Gata Esmeralda (uma contadora de histórias, que é a avó do Gato Maluco). A história envolve Internet, desafios de viola e outros ingredientes que temperam a disputa de corações na busca do amor. O texto foi produzido praticamente todo em versos, às vezes livres, às vezes rimados. E sempre temperados com bom humor, com situações engraçadas. Mas que levassem à reflexão sobre os relacionamentos, sobre a importância de se expressar os verdadeiros sentimentos entre seres que se gostam. Assim nasceu a ÓPERA DOS GATOS, um texto ainda inédito em livro (está em fase de análise por uma editora). Mas já encenado, o que é mais importante, pois uma peça é escrita com a finalidade de ganhar concretude nos palcos e ser desfrutada sob a forma sugerida: a linguagem mágica do teatro, com o seu alto poder de expressão. Cenários, figurinos, luzes, cores, movimentos, magia e encantamento. Tudo isso pode ser encontrado na concepção do espetáculo pela equipe do Colégio das Neves.  Dizem que gatos têm SETE FÔLEGOS,  têm SETE VIDAS. Longa vida a este espetáculo. Para alegrar muitos corações. "Conta quantos gatos são, pra alegrar seu coração"... Quem quer comprar um saco de gatos? São gatos bonitos de todas as cores...  Venham conferir...

ÓPERA DOS GATOS - 2 - A GÊNESE

A peça ÓPERA DOS GATOS foi escrita por mim no ano de 2004. Vejam vocês, há seis anos atrás. E permanece inédita, ainda, em livro. No momento, está sendo analisada por uma editora com vistas a uma provável publicação. Mas, o importante é que a peça FOI ENCENADA no Colégio Nossa Senhora das Neves, registrando-se a sua estréia oficial no dia 07 de outubro de 2010. E com uma montagem muito criativa do professor Val (direção)  e do professor Igor (composições musicais e arranjos), os quais conseguiram arregimentar um grupo de alunos do próprio Colégio, atores e atrizes muito expressivos e talentosos. Com mais calma, irei comentando minhas impressões sobre esse trabalho. Nesse momento, quero dizer como foi que a peça chegou até o Colégio das Neves. Ocorre que a Coordenadora do Laboratório de Informática do Colégio, a professora Andreia Mafra, foi minha aluna na UFRN, no curso de Pedagogia. E vimos mantendo, ao longo dos anos, uma sadia amizade. Então, recentemente estávamos conversando sobre literatura em geral e eu comentei sobre a minha peça. Ela se interessou e me pediu permissão para submeter o texto à direção do Colégio com vistas a uma provável encenação. Concordei. Ela encaminhou o texto à direção, que, tendo gostado, o repassou ao professor de Educação Artística, o qual abraçou o projeto e conseguiu fazer um trabalho muito significativo em linguagem teatral. Assim, expresso aqui a minha gratidão à professora Andréia Mafra, à direção do Colégio Nossa Senhora das Neves, aos professores Val e Igor e a todos os alunos atores e atrizes (e a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a peça ser encenada): muito obrigado. Vocês não imaginam a minha emoção em ver o texto criar vida no palco, de forma tão bonita, tão leve, tão MÁGICA!!!! Espero que esta peça tenha uma trajetória plena de SUCESSO, e que possa ser vista por muitas e muitas crianças, por adolescentes, por jovens e por muitas outras pessoas que ainda alimentam dentro de si a CRIANÇA INTERIOR. Numa próxima postagem pretendo dizer como me ocorreu a idéia da peça... Aguardem...

ÓPERA DOS GATOS

No dia 07 de outubro aconteceu a estréia da minha peça infanto-juvenil ÓPERA DOS GATOS, no Colégio Nossa Senhora das Neves, em Natal/RN. Por ocasião da Semana da Criança, o Colégio das Neves exibiu a peça para crianças de outras escolas, nas quais é feito um trabalho social. A peça foi dirigida por um dos professores do Colégio (professor Val), com a colaboração do professor Igor (parte musical) e encenada por alunos do mesmo colégio. Na ocasião, recebi uma bela homenagem do Colégio (uma plaquete que guardo com muito carinho). Foi uma grande emoção assistir à peça e ver as personagens ganhando vida e levando a mensagem central da peça: a necessidade da expressão sincera do sentimento chamado AMOR. Tudo numa linguagem alegre, divertida, expressas no texto, nas músicas, na coreografia e no desempenho de todos os atores e atrizes. Quero dizer que fiquei surpreso com a qualidade do trabalho, principalmente pelo pouco tempo que tiveram para realizá-lo. Parabéns a todos. Sei que o trabalho, a cada apresentação fica melhor. E continuará sendo aprimorado ao longo das encenações. Espero que esta peça consiga extrapolar os muros e as fronteiras do Colégio das Neves para que um público mais abrangente possa ter o privilégio de conferir o que estou dizendo aqui (confiram, pois o próprio autor pode ser suspeito para falar...). Mas estou me referindo mais à montagem do que à criação do texto em si. Então, entrem no site do Colégio e procurem mais informações a respeito dos próximos passos da peça.